Tentar entender o que está por trás da inovação nos leva a algumas surpresas. Se o termo hoje se difundiu no mundo dos negócios e é entoado como mantra em seminários, discussões e no cotidiano de executivos e empreendedores é porque cada vez mais a inovação é vista como uma solução eficaz para alcançar o patamar que se quer. Seja a busca por lucros, a criação de novos empreendimentos ou a reinvenção de um negócio…
Que a inovação é o meio para sobreviver e crescer numa era de rápida evolução tecnológica e conhecimento compartilhado é um argumento que poucos contestam. No entanto, percebo que, para além de seus benefícios, a inovação exige um cuidado apurado na busca por suas origens. Ainda existe muita especulação sobre os elementos que geram a inovação. Muitos teóricos sistematizam processos e definem regras que pretensamente levarão ao que todos almejam.
Mas, sinceramente, acho que a inovação capaz de alterar hábitos e mudar paradigmas parte do sentimento mais primal e natural do ser humano: a paixão. É com ela que muitos inovadores desbravam o desconhecido e criam configurações a partir do que não é evidente. Em uma entrevista muito interessante à revista “Inovação em Pauta”, da Finep, o professor Ladislau Dowbor fala sobre o assunto: “O que move a inovação é o gosto de inovar. Pasteur não inventou vacina por grana.”
Concordo com o teórico e me arrisco a dizer que a inovação, diferente do que muitos pensam, não se conquista seguindo padrões. Eles podem, sim, gerar maior eficiência, melhorias, otimizar processos já consagrados. Mas a inovação que se exige no mundo atual é urgentemente maior do que o aperfeiçoamento de processos. Ela surge da necessidade de encarar a realidade de uma nova forma: mais sustentável, cooperativa, complexa e apaixonada. A fórmula, se é que existe, é focar menos no pragmatismo do resultado e mais no aprendizado da evolução.
Para saber mais:
Inovação em Pauta: “Um outro mundo possível”, entrevista com Ladislau Dowbor