
Os indicadores econômicos positivos, o surgimento de uma nova classe média e a consolidação da democracia colocaram o Brasil em outro patamar. A sensação de uma crescente prosperidade melhorou a autoestima do país que ainda foi escolhido para sediar os dois maiores eventos globais: a Copa do Mundo de 2014 e as Olímpiadas de 2016.
Neste país existe uma nova geração de 25 milhões de jovens entre 18 e 24 anos que, conectados às tecnologias digitais, exercitam uma nova forma de se relacionar, conhecer e interagir com o mundo. A primeira geração global de brasileiros acredita que o país do futuro chegou e está agindo para que isto se consolide.
Segundo a pesquisa “O Sonho Brasileiro”, levantamento realizado pela agência de consultoria e pesquisa Box1824, estes jovens não acreditam nos modelos antigos da sociedade e inventam seus próprios caminhos, criando conceitos inovadores de trabalho, convivência e prosperidade.
De acordo com o consultor em inovação e fundador da empresa Papagallis, focada em conhecimento coletivo, Luiz Algarra, a pesquisa capturou uma tendência generalizada dos jovens assumirem pessoalmente seu processo de mudança. “Eles são protagonistas de microações que transformam o cotidiano em diferentes culturas e localidades”, afirma Algarra.
Um dos principais resultados do estudo foi captar a existência de mais de dois milhões dos chamados “jovens-ponte” ou os catalisadores de mudanças. “São jovens que conectam os seus sonhos ao cotidiano e já realizam projetos reais que estão transformando realidades pelo país afora” explica Carla Mayumi, coordenadora do projeto e sócia da Box1824, onde é responsável pelo núcleo de Inovação.
Um exemplo destes “jovens-pontes” é André Gravatá, um dos organizadores do TEDxJovem@Ibira, evento que aconteceu no dia 04 de dezembro de 2011 em São Paulo e teve como tema as microrrevoluções. “Nosso objetivo é dar voz às ações silenciosas e desconhecidas que causam impacto positivo para quem está em volta”, explica André. “As microrrevoluções são pequenas mudanças capazes de transformar a sociedade e criar um país melhor”.
O evento, uma versão licenciada do programa norte-americano TED (Tecnologia, Entretenimento e Design), tinha o propósito de espalhar ideias inovadoras por meio de apresentações com pessoas que transformaram realidades. Entre os palestrantes estavam David Rocha, um jovem de 20 anos que transforma madeira encontrada no lixo em violinos, e a jornalista Tatiana Achcar, que viajou um ano de bicicleta coletando histórias de sustentabilidade nos Estados Unidos, Nova Zelândia e Indonésia.
Para André Gravatá, é importante mostrar que existem pessoas que estão transformando o mundo silenciosamente. “É uma boa oportunidade para os jovens repensarem seu papel na sociedade e mostrarem sua capacidade de mudar realidades a partir de seus sonhos”, diz.
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