Nov 29

Ser real, realista e realizador

Todo empreendedor tem um sonho. Que começa num vislumbre e cria corpo ao longo do tempo. Ainda no mundo das ideias e projeções, mas com uma característica de realidade quase palpável diante dos olhos de quem a concebeu.

Para colocar o sonho em prática, o empreendedor precisa ser realista. Imprimir no papel o que pensou e vislumbrou com custos, riscos, ganhos e perdas. Os especialistas nesta área pedem para projetar sempre dois cenários: o melhor e o pior possível. Com sorte, o caminho do meio se torna viável para a terceira etapa do sonho: a realização.

Quando a ideia surge, passa pela sabatina, está na hora, então, de ser concretizada. Colocada em prática no mundo real, testada com clientes e consumidores. Em condições que não estão sob o domínio do empreendedor, nem nas planilhas mais detalhadas feitas nas etapas anteriores.

Idealização, sabatina e capacidade de realizar. Se estas três fases de um empreendimento forem cumpridas com destreza, o projeto tem todas as chances de se transformar em sucesso e motivar novos ciclos empreendedores cada vez mais harmônicos e prósperos.

 

Nov 22

Por um digital mais sustentável

Falar da geração Y, do marketing digital, das redes sociais, da realidade aumentada, dos novos gadgets que aparecem dia após dia virou lugar comum em qualquer discussão sobre o futuro da sociedade interconectada. Bem montado e embalado para presente, este discurso surge em uníssono por expoentes do assunto em eventos do mundo digital. E pode ser encontrado em diversas apresentações, ppts e artigos espalhados pela rede.

Sempre desconfio desta voz orquestrada em que o argumento é ao mesmo tempo otimista e catastrofista conclamando as pessoas a se renderem às maravilhas do digital ou então se relegarem ao ostracismo. Um olhar mais cuidadoso percebe que por trás desta conversa existe uma urgência e uma necessidade de crescimento que vai além da realidade que o digital é capaz de proporcionar.

Uma das raras pessoas do meio com audácia para olhar criticamente este assunto é René de Paula, um dos precursores da internet no Brasil e criador da famosa lista de discussão “Radinho”. Ele palestrou na Feira do Empreendedor em São Paulo, na palestra “Provocações sobre o mercado digital” e já começou questionando sobre o que realmente é concreto e o que é fantasioso na web. “Vender o unicórnio, o mito, é mais fácil do que trabalhar com a realidade”, disse René. Para ele, vivemos a geração BR e não a XYZ cercada por cases de sucesso que desaparecem em pouco tempo sem resultados efetivos para as empresas. E pergunta: “O que é realmente revolucionário? O iPad de poucos ou a imensa maioria de novos consumidores que compram milhares de computadores a prestação e não sabem como usar as ferramentas na web?”

O fosso entre o que as empresas realmente precisam e o mercado oferece é um desafio e uma oportunidade para quem estiver disposto a entender o ecossistema, redesenhar as estratégias de relacionamento e investir num modelo diferente do que é oferecido hoje. “O digital é fundamental, mas não se pode perder o senso de realidade, responsabilidade e sustentabilidade”, disse René na palestra.

Perfeito! Será que não está na hora de pensarmos – usuários, fornecedores e clientes – o digital de forma mais sustentável, em que o foco e a utilidade sobreponham o excesso desnecessário de ações na rede que estão lá apenas para provocar ruído?

Para ler:
- René de Paula Jr: O chapéu da Carmen Miranda

Nov 18

Do desenvolvimento à estratégia de negócio

Encontrar o caminho mais curto para o sucesso no empreendedorismo é uma tarefa difícil para quem vive o dia-a-dia desenfreado de criar, manter e renovar um negócio. Mas é fácil enxergar que quanto mais mergulhados estamos nesta seara arriscada e apaixonante, mais conseguimos observar o mundo de forma inovadora.

A primeira fase desta jornada envolve muito trabalho e desenvolvimento operacional , quando ocupamos mais de 100% do nosso tempo, energia e performance na construção da base de um negócio. Época mais propensa às ciladas emocionais, aos erros e acertos de percurso e ao aprendizado contínuo.

Depois disso, com as lições feitas – e com sorte também, por que não?! – atingimos um patamar em que a estratégia e dinâmica de trabalho assumem um papel bem mais conceitual. Nesta fase, o empreendedor cuida da gestão do negócio, do aperfeiçoamento de desempenho e, principalmente, da busca por formas, produtos e modelos inovadores.

No caminho do desenvolvimento à estratégia, os empreendedores esbarram em questionamentos e decisões tão pessoais que imprimem uma forma única de gerir seu negócio. E quando a produção é otimizada a ponto de abrir espaço para a inovação ou o aprendizado transforma-se na concretização exata de um projeto é possível visualizar esta marca conquistada arduamente ao longo do processo.

Fazer estrategicamente, pensar operacionalmente é uma fórmula equilibrada de percorrer o caminho rumo à realização e ao sucesso perseguido por todo o empreendedor.

Nov 04

Inovação se faz com paixão

Tentar entender o que está por trás da inovação nos leva a algumas surpresas. Se o termo hoje se difundiu no mundo dos negócios e é entoado como mantra em seminários, discussões e no cotidiano de executivos e empreendedores é porque cada vez mais a inovação é vista como uma solução eficaz para alcançar o patamar que se quer. Seja a busca por lucros, a criação de novos empreendimentos ou a reinvenção de um negócio…

Que a inovação é o meio para sobreviver e crescer numa era de rápida evolução tecnológica e conhecimento compartilhado é um argumento que poucos contestam. No entanto, percebo que, para além de seus benefícios, a inovação exige um cuidado apurado na busca por suas origens. Ainda existe muita especulação sobre os elementos que geram a inovação. Muitos teóricos sistematizam processos e definem regras que pretensamente levarão ao que todos almejam.

Mas, sinceramente, acho que a inovação capaz de alterar hábitos e mudar paradigmas parte do sentimento mais primal e natural do ser humano: a paixão.  É com ela que muitos inovadores desbravam o desconhecido e criam configurações a partir do que não é evidente. Em uma entrevista muito interessante à revista “Inovação em Pauta”, da Finep, o professor Ladislau Dowbor fala sobre o assunto: “O que move a inovação é o gosto de inovar. Pasteur não inventou vacina por grana.”

Concordo com o teórico e me arrisco a dizer que a inovação, diferente do que muitos pensam, não se conquista seguindo padrões. Eles podem, sim, gerar maior eficiência, melhorias, otimizar processos já consagrados. Mas a inovação que se exige no mundo atual é urgentemente maior do que o aperfeiçoamento de processos. Ela surge da necessidade de encarar a realidade de uma nova forma: mais sustentável,  cooperativa, complexa e apaixonada. A fórmula, se é que existe, é focar menos no pragmatismo do resultado e mais no aprendizado da evolução.

Para saber mais:
Inovação em Pauta:  “Um outro mundo possível”, entrevista com Ladislau Dowbor