Apr 30

Proxxima 2010: entre o digital e o real

proxximaEvento discute publicidade, internet, tendências e ações no meio virtual

O Proxxima 2010 poderia ter começado do final. A última sessão de debates com o tema “História e futuro da web no Brasil” reuniu nomes de peso como Silvio Meira (do C.E.S.A.R.), Walter Longo (grupo Y&R) e Romero Rodrigues (Buscapé) para discutirem os últimos 15 anos da internet brasileira e vislumbrarem o futuro nos próximos 15. Com visões bem diferentes entre si, os palestrantes conseguiram contextualizar de forma brilhante o cenário digital no país.

A começar pelo discurso de Walter Longo que apontou impactos no que chamou de “ecossistema digital” que vão desde a redução de emissões de carbono por conta de pesquisas de preço feitas pela internet (“não preciso mais visitar várias concessionárias para comprar um carro”) à gestão de negócios (“as empresas precisam buscar o que é suficientemente bom – o good enough!”). E a fala de Silvio Meira: “Nos últimos 40 anos, a capacidade computacional aumentou de performance 1 bilhão de vezes pelo mesmo preço”.

Durante o evento ninguém se arriscou a fazer previsões exatas, é claro. Alguns apontaram o futuro  para a internet móvel, a interatividade da TV Digital, a força das mulheres nas redes ou a internet das coisas (a computação ubíqua). Com a web cada vez mais onipresente, governos, instituições e pessoas se deslocam para o “ser digital”. Em breve, as estatísticas deixarão de focar pessoas para medir comportamentos. É a partir deste movimento que políticas públicas serão idealizadas e produtos serão lançados. A propaganda digital preencherá lacunas de informação e a distinção entre o offline e o online ficará ainda mais complexa.

O fato é que em dois dias de imersão no mundo digital é interessante discutir tendências, ver experiências que deram certo e vislumbrar novas tecnologias, mas é tão ou mais importante refletir sobre o nosso papel diante de tanta mudança. Prefiro focar minha atenção numa informação relevante passada por Silvio Meira: enquanto 24% das casas brasileiras têm banda larga, apenas 29% têm esgoto tratado.

Pode-se dizer – e foi dito – que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Não concordo. Enquanto tivermos um fosso entre esses dois mundos, continuamos matando várias oportunidades de crescimento e inovação. A sociedade em rede criou não apenas pontos de interseção, mas também amarras. De alguma forma, estamos juntos numa criação coletiva que necessita da colaboração de muitos. Isto pressupõe participação e engajamento. E resulta em progresso e evolução para todos, mesmo que percebida de forma diferente por cada um.

Para saber mais:
- Site oficial do Proxxima 2010, realizado pelo grupo M&M: http://www.proxxima.com.br

Apr 22

Qual é o tempo da inovação?

ampulheta

Esta é uma pergunta que venho me fazendo há algum tempo. Estudando casos e exemplos de inovação, sempre penso em qual momento a simples ideia passou para a fase da implementação. E, principalmente, quando é necessário um novo ciclo inovador.

Para os empreendedores, que vivem em mercados cada vez mais competitivos, o valor da inovação representa a própria sobrevivência do negócio. Reinventar processos e produtos é uma demanda constante que exige criatividade. Mas, se tudo o que é diferente passa a ser denominado inovação, caímos na banalização da palavra. E, convenhamos, um produto repaginado não muda paradigma algum – para mim, o princípio da inovação.

Observando o mercado de tecnologia percebi semelhanças interessantes nas empresas comprovadamente inovadoras (receberam prêmio Finep e têm elevadas taxas de crescimento). Todas elas passam por um ciclo de três meses entre uma boa ideia e o lançamento de uma inovação. Este, talvez, seria o tempo necessário de maturação, em que o insight passa por uma espécie de linha de produção para ser filtrado, testado e, só depois, comercializado.

É claro que nestes casos os processos da empresa já estão estruturados. Novos empreendimentos exigem um pouco mais esforço e tempo, afinal nem processos consolidados existem ainda. Acredito também que cada mercado tem o seu tempo de inovação, pois as variáveis mudam. Entre elas, a percepção do consumidor, o estado da arte tecnológico, os processos industriais e por aí vai.

Cabe ao empreendedor o exercício de conhecer (de novo esta exigência) profundamente o setor em que atua. E também saber discernir entre o diferente e o inovador. Perceber essas nuances pode ser uma boa fonte de insights. Cada empresa, cada empreendedor, cada mercado tem o seu tempo específico para inovar. O ideal é entrar em sintonia com todos eles para realmente fazer a diferença no momento certo.

Apr 13

Mulheres empreendedoras

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A primeira vez que ouvi falar do curso 10.000 mulheres foi na revista Época Negócios. Registrei a informação. Depois, em uma busca na internet, vi a importância do programa. Promovido pelo banco americano de investimentos Goldman Sachs, o curso é oferecido pelas melhores faculdades de administração em cerca de 20 países emergentes, como Brasil, Nigéria, Egito, e tem o objetivo de fomentar o desenvolvimento econômico por meio da educação. A temática: empreendedorismo. O público: mulheres.

Resolvi participar da seleção que começou em fevereiro deste ano na Fundação Getúlio Vargas e tive a feliz notícia da aprovação na semana passada. Para quem me perguntava sobre o curso, passei a explicar, brincando: eles acreditam que só as mulheres são capazes de mudar o mundo! Pois alguém duvida que isso tem um fundo de verdade?…

Na terceira turma do curso, somos 37 mulheres numa diversidade de origens, ideias e perspectivas que dá uma mostra de como serão os próximos meses. Mais do que o aprendizado com professores, teremos a oportunidade de realizar uma troca intensa de experiências entre empreendedoras dispostas a fazer diferença em seus negócios, comunidades, cidades e países. Porque se tem uma característica em comum entre  tantas mulheres é a vontade de mudar a realidade que as cerca.

Estou muito feliz com a chance de aprender e discutir empreendedorismo. Minha certeza é de que o conhecimento gera inovação, desenvolvimento e tem o poder de consolidar e multiplicar novos negócios

Boa sorte a esta turma, na qual me incluo com orgulho. Que o curso inspire reflexões e realizações. O resultado disso tudo será compartilhado com satisfação!

Para saber mais:
- Programa 10.000 mulheres

- Época Negócios: Mulheres na escola

Apr 06

Inovação aplicada ao dia-a-dia

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A home do UOL trouxe uma chamada interessante nesta segunda-feira, que linkava para um parceiro do portal: a versão brasileira do HowStuffWorks – Como tudo Funciona  – um site criado para explicar os mais diferentes assuntos de forma bem objetiva. A reportagem em questão era “Dez exemplos de tecnologia da Nasa usados no dia a dia”.

A matéria apresenta inventos criados pela e para a Nasa que foram reaproveitados no cotidiano das pessoas. Aparelhos ortodônticos invisíveis, lentes resistentes a arranhões e palmilhas de tênis mostram que o investimento na indústria espacial serviu para criar ferramentas interessantes com tecnologia em revestimento, computação, alimentação e vestimenta.  O aspirador de pó sem fio, por exemplo, era usado pelos astronautas para obter amostras de rochas e solo na lua.

Exemplos como esses comprovam que pesquisa de ponta traz resultados não apenas para quem investe em inovação, mas para toda uma cadeia de produção que envolve o entorno da indústria e outros setores, sequer imaginados no início de um projeto, como transporte, medicina, segurança, meio ambiente e agricultura.

Centenas de patentes são criadas a partir de inventos da Nasa. É o poder de disseminação que a inovação é capaz de criar. E a prova de que a evolução de um negócio, de uma indústria e de um país passa pela criação de uma cultura inovadora, em que uma ideia gera um produto, um processo diferente e uma nova ideia. Um ciclo que se realimenta de demandas simples a pesquisas com a mais alta tecnologia. Inovação permeada por criatividade e habilidade para prever tendências que serão realidade no futuro.

Veja também:
- HowStuffWorks: Dez exemplos de tecnologia da Nasa usados no dia a dia

- O Globo: As tecnologias que vieram do espaço