
Desde que comecei a escrever sobre inovação e empreendedorismo leio artigos, pesquisas e livros de estudiosos e profissionais do mercado que tentam dissecar estes dois conceitos na busca por uma definição que não apenas explique, mas também apresente uma fórmula mágica em que se possa espelhar e replicar modelos de sucesso.
Enquanto a inovação é colocada em um pedestal alcançado apenas por empresas, países e instituições que investem milhões em pesquisa e desenvolvimento (P&D), o empreendedorismo muitas vezes se apresenta como o resultado de um esforço meio intuitivo – amador até – que sabe combinar eficiência, sorte, oportunidade e muita persistência.
Finalmente, me deparei esta semana com um artigo que trata sobre Inovação de uma maneira surpreendentemente inovadora. Ufa! Trata-se de um texto de Silvio Meira, cientista-chefe do instituto C.E.S.A.R (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife), considerado um dos maiores especialistas em tecnologia no Brasil. No artigo, Meira decreta: a inovação é impermanente, imperfeita, incompleta.
Opa! Uma definição que se encaixa perfeitamente no mundo do empreendedorismo. E segue a leitura sobre inovação: “ao invés de tentarmos alcançar uma certa execução perfeita do conhecido, criando estruturas permanentes, estamos à busca da execução imperfeita do desconhecido”.
Os empreendedores sabem (e na vida também é assim) que quando finalmente se atinge um objetivo está na hora de mudar o rumo, rever os conceitos e começar um novo desafio. É o caráter temporal do trabalho, das decisões e das metas que faz a roda girar. “Aqui é onde as pessoas e sua tendência a querer estabilidade, no médio e longo prazo, mais sofrem em instituições inovadoras”, diz Meira. E completa: “o ideal inconsistente da inovação é a criação e manutenção de um ambiente de insatisfação institucionalizada com o status quo de um negócio qualquer.”
Ou seja, a insatisfação é o motor de arranque da inovação e do empreendedorismo. Quer coisa melhor do que saber que na sensação de incompletude se chega mais perto de um ideal? Ou concluir que a ausência do projeto perfeito, do produto finalizado e do plano de negócios aprovado marca apenas o início do jogo? “Toda inovação é parte de um processo de insatisfação que guarda as sementes de sua própria renovação”, diz Silvio Meira.
O artigo – inspirador – mostra que mais do que copiar matrizes de sucesso, a trilha da inovação está nas lacunas abertas pela insatisfação. É tentando preenchê-las sempre e infinitamente que inventamos novos produtos, linkamos diferentes soluções e descobrimos o pulo do gato de um empreendimento inovador. Para, logo depois, começar tudo de novo. É assim que a roda gira.
Saiba mais:
- Artigo de Silvio Meira no blog dia a dia, bit a bit: dá para definir inovação?
- Blog Chá Quente, de Guilherme Felitti: Silvio Meira no No.
