Como será São Paulo daqui a 100 anos?

enchente_spFoi com esta questão que o jornalista Valdir Sanches, do Diário do Comércio, procurou o urbanista Jorge Wilheim para mais uma pauta sobre o aniversário da cidade. Mais interessante do que a pergunta foi a resposta do entrevistado: o futuro você encontra nas diversas rupturas e nas pequenas sementes de inovações.

Para o urbanista, o exercício de imaginar São Paulo no futuro é simples quando se olha para a cidade no passado. Em 1910, a cidade tinha 365 mil habitantes. O centro era chamado de cidade. E a imigração formava a São Paulo que conhecemos hoje.

A história cheia de momentos de ruptura (política, social, ambiental) e inovação (no transporte, na cultura, na sociedade) foi marcada também por um forte traço de empreendedorismo e, infelizmente, pela falta de planejamento estrutural, escancarada nas enchentes de todos os anos.

Hoje, somos 11 milhões de habitantes. Não andamos mais de bonde, mas também não conseguimos andar de carro. O centro não é mais o local que reúne a população no espaço público. Agora, temos vários centros para diferentes públicos e interesses. Mesmo assim, sobrevivemos melhor na vida privada. E, se somos italianos, espanhóis, japoneses ou judeus, isto é o que menos importa.

A cidade que se transformou nos últimos 100 anos segue o mesmo caminho de ruptura e inovação para os próximos cem. Isso representa evolução, mas também retrocesso. Pioneirismo e contradição. Aos paulistanos, mais do que romper, cabe plantar: pode ser uma árvore, gentileza, educação, empreendedorismo ou inovação. Um trabalho que começa com uma nova forma de olhar e apreender a cidade em que vivemos. Se a mudança de postura for real, o impacto coletivo será visível antes de 2110. É o que espero!

Para saber mais:
- São Paulo, 556 anos…

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