20 de maio de 2013:
“- E aí, para quanto a gente aumenta a tarifa do transporte público?”
“-Ah, coloca aí R$ 3,20. O povo nem vai perceber. O que são 20 centavos no meio de tanta sacanagem?”
“- É isso mesmo. Serão R$ 3,20 por questões técnicas e pronto. Vamos embora porque já passou das 17h00.”
Mas uns garotos, jovens estudantes, acharam desaforo, trocaram mensagens pelo celular e resolveram ir pra rua reclamar…
10 de junho de 2013:
“-O que a gente faz com este bando de arruaceiro?”
“-Bota a polícia para bater. Se os pais não educam, vamos dar uns cacetes neles!”
Mas não esperavam: os manifestantes filmaram, postaram na internet, compartilharam nas redes sociais. E a população – que nem tinha percebido o aumento -, de repente notou que além do problema do transporte, tinha também a saúde, a educação, a alimentação, a inflação disparada – e disfarçada. E resolveu aumentar o coro de insatisfeitos.
17 de junho de 2013
Mais de 230 mil pessoas foram às ruas em 12 capitais brasileiras. Não apenas para protestar contra o aumento na tarifa do transporte público, mas por uma indignação generalizada.
A história é cíclica. Foi assim em 1932, 1964, 1984, 1992… E, apesar de não parecer, muita coisa mudou a partir destes momentos históricos. É porque nestas horas percebemos o quanto fazemos parte de um todo. A constatação da interdependência é crucial para catalizar a mudança. Não das instituições políticas e econômicas, mas do povo.
Mais de 500 anos de abuso não mudam com um dia de protestos. Mas uma manifestação popular é capaz de gerar um sentimento poderoso nas pessoas: o de pertencimento. É com esta sensação de orgulho – e mais 20 centavos – que se constrói uma nação.









